Porque você faria algo que usará por alguns minutos de um material que basicamente vai durar pra sempre? - Jeb Berrier, Bag It.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Dia 4

Plástico descartável utilizado: 3
Sacolas plásticas recusadas: 0

Amigos, evitar plástico descartável é um exercício mental muito bom. Acredito que, com o tempo, aprendemos onde está o plástico e conseguimos evitá-lo cada vez mais. Novatos sóbrios caem em ciladas armadas por todos os lados. Imagine um novato bebum!


Pois bem... Hoje é feriado por aqui. Quatro de julho, independência dos EUA. Não fui trabalhar e nem fui fazer compras. Fiquei em casa coçando e vendo uns documentários. 

Na hora da janta, resolvi fazer uma pizza. Abri a geladeira e descobri dois latões de Guinness. Seria bom, não estivesse este blogueiro em um desafio contra os plásticos. Na hora da descoberta, não pensei em plásticos. Vi uma lata (mesmo sabendo que latas também levam um filme de plástico), peguei, abri e dei uma golada das grandes. 

Tá vendo aquela bolinha de plástico ao lado da lata? A Guinness coloca a bolinha dentro da lata pra fazer espuma quando a gente abre. Eu sabia disso. Já tomei Guinness em lata antes. Já abri uma lata antes, pra tirar a bolinha. Mas na hora que vi a gelada, deu um branco. 

Resultado: só tomei uma.

Oceanografia plástica 1

Aproveitando o feriado por aqui, achei por bem trazer algumas informações dos oceanos para o blog, já que um dos grandes problemas causado pelo consumo excessivo de plásticos é a poluição marinha.


Em março de 1972, uma dupla do Woods Hole Oceanographic Institution publicou um artigo na revista Science em que descreveram a presença de partículas plásticas no Atlântico Norte. Na época, havia em média 3500 partículas de plástico por quilômetro quadrado. A maior parte das partículas era arredondada, branca e com tamanho entre 0.25 e 0.5 centímetros de diâmetro. Os autores já previam o aumento da produção de plásticos e a consequente poluição dos oceanos e sugeriram que o aumento da concentração de PCBs em organismos marinhos poderia estar associado à presença de plástico. Dois anos depois, outros pesquisadores revelaram que a situação era bem parecida no Pacífico Norte.

Recentemente, um estudo publicado na Science mostrou que os pesquisadores não notaram um aumento na quantidade de plásticos no Atlântico Norte entre 1986 e 2008, mesmo que a quantidade de plástico descartado nos EUA tenha aumentado 4  vezes entre 1980 e 2008.

O que acontece com o plástico nos oceanos? Pra responder essa pergunta, vou ter que estudar mais...

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Dia 3: Enganado pelo copo de "papel"

Plástico descartável utilizado: 2
Sacolas plásticas recusadas: 0


Este blogueiro acreditou que estava abafando com seu consumo zero de plásticos descartáveis. Só que não! Fui enganado pelo copo de "papel". Então decidi colocar na conta de hoje os dois copos que utilizei nos dias 1 e 2 deste desafio.

Baita burrice! Deveria ter suspeitado que um copo de papel não poderia segurar líquidos por muito tempo. Em conversa com uma amiga durante o almoço, fui questionado se tinha certeza que o copo não continha plástico. Não havia certeza alguma. Fui procurar a informação e, obviamente, o copo de papel que eu estava utilizando é banhado por uma camada fina de polietileno. Dizem que alguns são tratados com cera. Não os meus, fabricados pela Dixie.

Reza o Wikipédia que os primeiros copos de papel descartáveis foram criados por pessoas preocupadas com a disseminação de germes causada pelo compartilhamento de copos de vidro (o pessoal gosta de beijar na boca, mas não pode compartilhar um copo). Na mesma página, dizem que o papel não segurava o líquido por muito tempo, por razões óbvias, e que a primeira alternativa foi impermeabilizar a parte de dentro dos copos com argila. O problema é que a argila alterava o aroma das bebidas quentes e não era aplicada na parte de fora do copo. Assim, quando o copo era utilizado com bebidas frias, ocorria condensação por fora, destruindo o copo. A saída da indústria foi aplicar plástico e propagandear bastante. Será que os inventores dessa maravilha, se vivos e igualmente preocupados com a saúde pública, não trocariam o plástico pelos germes?

Por fim, o número de sacolas recusadas, inserido abaixo dos plásticos utilizados, foi uma sugestão da Júlia Reisser, plasticariana mais experiente que quer saber quantas sacolas serão evitadas durante este mês. Até agora não me ofereceram nenhuma e também não pedi nenhuma. Sacola de plástico não me engana!

Limpando a mesa


Minha mesa na Georgia Tech, cheia de plástico descartável. Limparei e organizarei tudo. Juntarei os plásticos descartáveis para comparar com o consumo deste mês. Dureza...


Meus plásticos, depois da limpeza. Tem uns plásticos ali na primeira foto que não eram meus!

terça-feira, 2 de julho de 2013

Dia 2

Plástico descartável utilizado: 0

Desisti de ir às compras e o desafio continuou tranquilo. Talvez eu espere até o fim de semana pra tentar visitar o Whole Foods, o Farmer's Market e a feira do Piedmont Park. Não se preocupe! Ainda tenho alguma comida em casa e os dois que moram aqui comigo foram viajar. Posso pegar uma comida emprestada (?!?) até eles voltarem e acho que vai valer a pena no fim, com a redução das embalagens plásticas. Mesmo assim, ainda haverá um resto plástico até o fim da semana. Espero que não seja muito e, se for, talvez terei que continuar o desafio em agosto para saber o quanto consigo reduzir.

Por enquanto, tenho dois pacotes de massa em caixas de papel, mas que tem uma janelinha de plástico transparente pra gente ver a massa lá dentro. Tenho um vidro de molho de tomate, que tem um pouco de plástico na tampa, mas posso reutilizar o vidro depois. Aliás, em um vidro de picles reutilizado, tenho uns tomates secos nadando em azeite de oliva. Tenho cogumelos e sardinha enlatados. Reza a lenda que até as latas levam uma aplicação de plástico antes de guardar a comida. Só que agora já comprei...

Ainda tenho pão e queijo, granola, leite e suco de laranja (tudo bem embaladinho em bastante plástico). Tô começando a achar que deveria ter planejado melhor esse desafio...



O que anda me salvando é o almoço na universidade. Até a semana passada, meu almoço número um era no Zaya, que aparece na foto. O problema é que eles só servem comida em uma caixa de plástico, mesmo que seja para consumo no local. A praça de alimentação da Georgia Tech tem várias outras opções (8 ou 9, contando com o Zaya). Apenas duas oferecem a possibilidade de utilizar um prato de verdade e disponibilizam talheres de metal. Os dois restaurantes são administrados pelo Dinning Services da universidade.

Canudinho, sacola, garrafa e tampa de copo, o top 4 do desafio Plastic Free July, são bem fáceis de eliminar. Ir além já exige um pouco da massa cinzenta, o que é bom.

Driblando o plástico da janta

Este blogueiro esqueceu de mencionar como driblou os plásticos na janta depois do futebol. Ontem teve jogo do meu time no Atlanta Sports & Social Club e cheguei em casa mais tarde que de costume, lá pelas 9 da noite. Perdemos por 3 a 1 (gol meu!), mesmo jogando o tempo inteiro com um jogador a mais e, no fim, o melhor jogador adversário levou cartão vermelho por reclamação. Passamos vários minutos com 2 a mais em campo e mesmo assim não conseguimos empatar...

Voltando ao assunto, quando cheguei em casa, abri a geladeira e não vi nada. Pensei em pedir alguma coisa. Fui ao computador, abri o site, comecei a procurar alguma coisa apetitosa, sempre gordurosa e bem salgada. Ao mesmo tempo, abri o Facebook e lembrei do desafio.

Normalmente, a comida que a gente pede para entregarem em casa é completamente empacotada em plásticos. O GrubHub tem uma opção, durante o pedido, que pergunta se precisamos dos talheres de plástico. Sempre assinalei que não, mas os restaurantes sempre mandaram o máximo de plástico possível: garfo, colher e faca embalados, claro, em plástico. Sachês de shoyu, ketchup, mostarda, maionese. Sem falar no biscoitinho da sorte que o restaurante chinês manda, que também é embalado em plástico.

Em casa, ainda tem pão, queijo e tomate. O pão e o queijo, em sacos de plástico. Uma mostarda ótima, com aquele gosto de krem, também estava lá na geladeira, em sua garrafinha plástica importada. Enfim, achei melhor fazer um sanduíche, já que o plástico descartável já estava comprado e prestes a ir pro lixo. Melhor que trazer mais pra casa, pensei.

Perdi na bola, mas fui dormir com a sensação de vencer o plástico descartável no primeiro dia do desafio. Além do mais, acho que farei um regime forçado.

Dia 1

Plástico descartável utilizado: 0

Por enquanto foi fácil, mas surgiram algumas questões de ordem.

A primeira: tenho algumas coisas em embalagens plásticas na geladeira que comprei antes de aceitar o desafio. Vale, Arnaldo?

A segunda: tenho plástico descartável em casa e na minha mesa na universidade. Vale, Arnaldo?

Vou considerar que o plástico na geladeira vale, porque se tiver que jogar fora será por ter consumido o que estava embalado. O que já havia sido consumido será considerado pré-desafio e vai pra lixeira dos recicláveis.

Amanhã vou ao supermercado e acho que o desafio vai pegar.